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Histórias (anedotas)
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A Mãezinha Cega
Quintino Cunha era um notável poeta, mas se tornou uma figura lendária no Ceará
mais pelas suas tiradas de espírito. Esses repentes faziam o deleite dos
amigos e provocava a inveja dos gratuitos inimigos.
Antes de se formar em Direito, advogou como provisionado (advogado sem diploma,
porém, autorizado). Quintino imperava como o melhor. Todos respeitavam o seu talento.
De uma feita, foi defender um pobre coitado que tinha matado um desafeto numa briga de bar. Deixou até o promotor comovido quando disse que o acusado era arrimo de família e cuidava sozinho da sua mãezinha cega de mais de oitenta anos. Por unanimidade o homem foi considerado inocente, apesar do bárbaro crime.
- Quintino, quem é a mãe daquele infeliz?
O notável advogado (então
provisionado) respondeu, para o espanto do amigo: - Eu sei lá se esse "fie" de uma égua tem mãe!
(Do anedotário popular - Redação: Ceará-moleque) |
O Prato de capim Quintino era um bom aluno. Às vezes, no entanto, tirava notas baixas por causa de sua mania de dar respostas irônicas quando as perguntas do professor eram capciosas, mania esta, de certo professor do ginásio que Quintino freqüentava. Estava Quintino numa sabatina e o professor muito irritado, com as respostas irônicas e fora da matéria, quando entra na sala o bedel e pergunta se o mestre deseja alguma coisa. O Professor diz para o bedel: - Traga um prato de capim! Quintino, olha para o bedel e diz: - Pra mim, apenas um cafezinho!...
(Do anedotário popular - Redação: Ceará-moleque)
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Sabe nadar...
Numa barbearia do centro de Fortaleza, a palestra lavrava entre fregueses e fígaros (barbeiro, em alusão a comédia Barbeiro de Sevilha) O assunto era sobre mulheres infiéis. Um barbeiro que usava chifres por direito adquirido, disse, em tom categórico: - Dr. Quintino, se eu fosse governo, mandava pegar todos estes "Cornélios convencidos", botava dentro de um navio e mandava a pique em alto mar. O poeta olha bem a fisionomia do fígaro e diz: - Você diz isso porque sabe nadar... ( Plautus Cunha -Anedotas do Quintino) |
Quintino no bonde Quintino entrou no bonde e procurou lugar para se sentar. Logo viu um assento vago ao lado de uma senhora com ares muito antipáticos. Mesmo assim resolveu se sentar e educadamente pediu licença: - Por favor, posso me sentar? A senhora olhou para o Quintino com desdém e perguntou: - Com esta cara?... Quintino não se fez de rogado e respondeu calmamente: - Não senhora,com está bunda!... (Do anedotário popular - Redação: Ceará-moleque) |
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Pergunta cretina e resposta idem Um certo senhor, renomado médico por nome de Álvaro Otacílio Nogueira, sempre ficava à espreita de algum deslize de Quintino Cunha . No meio de uma conversa entre vários intelectuais vislumbrou a oportunidade de jogar-lhe uma "casca de banana" e provocou o poeta dizendo: - Quintino diz aí três dessas besteiras que tens mania de falar. Pausadamente Quintino respondeu: - Álvaro, Otacílio, Nogueira. (Enviada por Eristow Nogueira) |
Até flecha...
Viajando para S. Mateus, em companhia de um caboclo taciturno, no meio da viagem, sol a pino, o poeta convidou o seu guia para tomar um "trago". O caboclo paraibano respondeu: - Seu doutor eu não bebo "arco" (álcool, no linguajar do matuto)! - Pois do jeito que eu vou aqui, engulo até flecha. Diz o Quintino.
(Plautus Cunha -Anedotas do Quintino) |
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Pernas de Cadeira O professor Anacleto de Queiroz exigia que seus alunos lhe obedecessem sem tirar nem uma vírgula nas suas ordens. O professor admirava o talento do poeta e por isso, Quintino ainda não havia sido expulso do Ginásio Cearense.
Grande número de traquinagens colocava o poeta em primeiro plano. Em compensação, suas notas eram sempre as melhores, exclusivamente pela sua inteligência.
Certa ocasião, o professor quando atravessava uma sala, encontrou o Quintino lendo e displicentemente, com os pés em cima de uma cadeira. O professor pigarreou e disse:
- Quintino, tire os pés da cadeira! Meia hora depois, Quintino comparece à secretaria, conduzindo as peças (pés) que arrancara da cadeira. ( Plautus Cunha -Anedotas do Quintino) |
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Fazendinha da Fome Quintino, certa feita, foi convidado a passar um final de semana em uma fazenda de um conhecido. Lá chegando na Sexta feira à noite foi muito bem recebido pelo dono da casa e pelos serviçais. Apesar disso, passaram-se as horas e nenhuma comida era servida. Por volta do horário da ceia foi servido um caldinho de bila (consomê de feijão verde) acompanhado duma nesga de pão passado na nata, e pronto!
Passou-se
assim o sábado, no mesmo modelo. Porém, com uma noite de apetitosos sonhos com
pão de milho no leite do coco, coalhada,
mel de rapadura, carne de sol, um alguidar cheio de farinha de mandioca e
os beijus saindo de dentro, de quebra um copo de quibebe de murici ou um copo
duplo da garapa de cana com limão. Acordou babando. Com as tripas revirando de
fome vestiu as calças pulou a janela e logo no caminho recitou:
"Adeus
fazendinha da fome
jamais
me verás tu
aqui
criei ferrugem
nos dentes e teia de aranha no cu ".
(Enviada por Eristow Nogueira) |
O Pente para Cachorro Os alunos do Liceu do Ceará estavam sempre a postos para retrucar a forma, hoje poderíamos dizer, Lungueana (referindo-se ao Seu Lunga) de Quintino. Depois de confabularem entre si um deles aproximou-se do professor e pediu: - Mestre me empreste o pente. Quintino retirou um pente do bolso da calça e o entregou ao aluno. Depois de pentear sua cabeleira à vontade o pestinha provocou: - Mas mestre isto parece mais pente pra cachorro! De forma muito natural, Quintino retirou outro pente, agora de dentro do paletó, mostrou-o e disse: - Este que estás usando realmente é pra cachorro. E mostrando o outro pente disse: - eu pessoalmente uso este aqui. (Enviada por Eristow Nogueira) |
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A Paciência do Juiz
Em uma cidade do interior cearense, das muitas pelas quais Quintino andava, um rico e portanto importante morador achava de insultar sempre um pobre e infeliz bêbado muito popular na cidade.
- Bêbado safado! Vagabundo! Corno!
E todo dia era a mesma história. Durante dez anos o pobre homem agüentou as ofensas. Mas um dia a paciência acabou e o bêbado matou o ofensor.
Nenhum advogado queria defender o coitado.Quintino, sabendo do acontecido, logo se apresentou como advogado deste.
No júri, o promotor praticamente liquidou com as chances de defesa do inditoso acusado.
Já o Quintino, iniciou com estas palavras:
- Meritíssimo senhor juiz! - Meritíssimo senhor juiz! - Meritíssimo senhor juiz!
Por dez minutos o intrépido advogado repetiu essas palavras dando uma leve batida na mesa. O juiz se impacientou e falou.
Doutor Quintino, eu não agüento mais, pare com isso e comece logo!
Era só o que o Quintino queria ouvir para arrasar o argumento do promotor.
- Meritíssimo senhor juiz, por apenas dez minutos eu repeti um respeitoso elogio e Vossa Excelência já se impacientou. Imagine então, um homem agüentar, por dez anos seguidos, os maiores insultos, pelo simples motivo de se embriagar...
- O acusado foi absolvido por unanimidade.
(Do anedotário popular - Redação: Ceará-moleque)
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Advogado bom pra cachorro...
Quintino, na função de advogado, estava em seu escritório quando chega um cliente, e os dois põem-se a discutir. - Então, Dr. se o cachorro do meu vizinho entra na minha casa e come dois quilos de carne que estavam sobre a pia, eu tenho direito de pedir indenização? - Claro que sim, meu amigo! - Então, Dr. passe-me C$20,00, pois o cachorro era o seu! - Pois não... Mas, antes me dê C$30, 00, pois a consulta custa C$50,00! Enviada pelo colaborador: Sandro
Roberto Veloso de Araújo Nota: O dinheiro da época de Quintino, provavelmente, era outro. |
Nota - As histórias do anedotário popular, aqui publicadas, foram redigidas pelo corpo editorial da Ceará-moleque com base em relatos de pessoas (hoje idosas) que viveram na mesma época do poeta. Outras foram extraídas do livro de Plautus Cunha (filho de Quintino) - Anedotas do Quintino - 16a Edição - 1974 - Editora Ângelo Accetti - Fortaleza-Ce.